quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Perigo Mental e a Segurança de Vida

 

Com a propagação da inexistência da Verdade, com a desconstrução da ética e com o subjetivismo assumindo o lugar do concreto, as referências que orientam as percepções se perdem em meio à diversificação das sensações para compreender a realidade.

São tantas alternativas volúveis, que a ideia de liberdade se converte em uma prisão no vazio de uma modernidade líquida.

Como ilhas porosas flutuantes de um arquipélago, o que falta sempre será o porvir das ilusões difusas que se renovam e nunca se realizam.
Resulta em sentimentos sem lastro, fragmentados, à deriva de um sentido que já não se sustenta.

Nesse momento histórico, não se trata mais de dar o que não se tem a quem não quer, mas de criar acesso para troca de afeto.

Sim, afeto, esse elemento abstrato, mas de uma consistência que transcende à concretude do vazio.

É pelo afeto que as pessoas se sentem validadas e vivas por um propósito; ocupando uma posição significativa nas relações humanas.
Onde há afeto, há reconhecimento; e onde há reconhecimento, há pertencimento.

 No entanto, na ausência do reconhecimento, as autoafirmações, através de ensaios emocionais que se transformam em comportamento, demonstram a intenção primordial de validação existencial.

São tentativas de dizer “eu existo”, na singularidade, diante de uma cultura que se afasta da experiência genuína do encontro.

Somente o utilitarismo egoico é capaz de descartar o afeto, pois nesse caso os vínculos não se perdem. E quando essa função se esgota, a convivência se dissolve.

Lamentavelmente, para os que nunca receberam afeto, o vazio é mais profundo, pois falta-lhe a lembrança consoladora de um aconchego que dê esperança ao reencontro com o que se perdeu.

Desse contexto, é possível deduzir o óbvio: afeto não se descarta, acumula-se. Diante de um vazio estrutural inerente à condição humana, o afeto é a única forma de compensar e preencher o nada da existência.

Sem ele, os sentidos flutuam em busca de um porto seguro para os ideais.

Enfim, talvez a questão não seja apenas descobrir que as pessoas vivem uma crise, mas se podem, de fato, suportar a existência sem receber afeto.

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