Na psicanálise lacaniana, o falo é o significante da falta, organizando o desejo em torno do “ter ou não ter”. Mas e se tomarmos a mulher como parâmetro com um novo olhar, nome e sentido? Eis o Metafalo!
Metafalo é, ao mesmo tempo, um quadro significante e uma operação. Ele não nega o falo, mas o ultrapassa, o transcende. Enquanto o falo remete à castração, o metafalo aponta para o que a mulher sempre foi, sem ter sido nomeado: a Base de Aporte para o próprio falo. Ou seja, a mulher é o suporte real que permite ao significante fálico emergir.
O que fundamenta o metafalo é a condição inerente do ser que nasce e morre com útero, hormônios, ciclos, gestação, menopausa. Ou seja, um corpo marcado por uma temporalidade biológica não linear, por ritmos que escapam ao controle voluntário e à ordem fálica do “ter ou não ter”.
Isso diferencia radicalmente o metafalo do falo. Este é um significante imaterial, universal, atemporal e funciona na lógica presença/ausência. Já o metafalo carrega a materialidade do que se repete e se transforma: sangramento que não se comanda, fecundidade que se esgota, um corpo que envelhece de modo diferente do corpo masculino.
Isso redefine a posição feminina, pois a mulher não se define pela falta, mas por estar mais próxima de um conteúdo do Real do que da fantasia do Falo. Ela é o Outro de maneira objetiva, a condição de possibilidade do discurso e do desejo masculino, contudo sem ter, até o momento, a sua função de poder que jamais foi simbolizada. O metafalo é a tentativa de dar um nome a esse poder não fálico.
Por isso, como operação, o metafalo consiste em extrair significante desse Real sem reduzi-lo à ausência. Trata-se de construir um quadro onde a mulher é um parâmetro, que não organiza a falta, mas a presença como fundo.
Clinicamente, isso desloca a angústia feminina da castração para a impossibilidade de nomear seu próprio poder. Politicamente, implica um feminismo não da igualdade de ter o falo, mas da nomeação do Real feminino.
O metafalo é, portanto, um convite a pensar a diferença essencial para além da lógica fálica, com a mulher como chave, não como exceção.
Mhauro Garcia.
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